terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Uma faca do início ao fim: 5. Fazendo o cabo

Dando prosseguimento, hoje vou demonstrar o meu método de encabar a faca.

Vamos lá!

Peço à todos vocês que, assim como eu tenho compartilhado conhecimento, que vocês possam também compartilhar este artigo em suas redes sociais. É só compartilhando conhecimento que a cutelaria brasileira irá atingir seu máximo potencial!

Que Deus abençoe à todos!

A primeira coisa que faço é definir o ângulo do corte da face 
que vou embutir a espiga.
Para economizar tempo, uso um modelo onde desenho o perfil
do modelo do cabo que vou fazer.

Cortando a face da espiga.

Lixando pra deixar totalmente plano.

Agora eu marco somente o limite superior do cabo.

Posiciono a faca e risco o perfil da espiga, claro, 
respeitando o limite superior que risquei,
alinhado ao dorso da faca.

Posição da espiga e limite superior do cabo.

Com um paquímetro, eu tiro a medida da diagonal da seção transversal da espiga.

Escolho uma broca com 2 milímetros menor do que a medida da foto anterior.
Posiciono a broca no mesmo ângulo do risco da espiga.

Furando. Materiais macios, alta rotação. Materiais duros, baixa!

Prendo a faca com couro na morsa 
e aqueço toda a extensão da espiga com um maçarico à gaz de cozinha.

Coloco a espiga quente no bloco. 
Lembre-se de manter o fio da lâmina alinhada ao centro da largura do bloco.

Olhando contra a luz em busca de frestas.

Lixando o bloco até suprimir todas as frestas.

Lâmina perfeitamente assentada.

Riscando o perfil da bombinha.

Riscando o perfil do cabo.

Perfil riscado.

Cortando o perfil.

Tirando o excesso de material do perfil.

Afinando o bloco próximo à bombinha.

Dando formato tridimensional ao cabo.

Com o canto de lixa 50, faço alguns sulcos para a cola
afixar o cabo, sem a necessidade de pinos.

Sulcos para cola.

Misturando epóxi bi-componente.

Jogando dentro do alojamento da espiga.
Em dias frios, eu aqueço um pouco a cola com um soprador térmico,
de modo à deixá-la menos densa, para que escorra melhor.

Usando um gabarito para ajustar o cabo 
e não ter que ficar segurando com a mão até que a cola seque.

Limpando o excesso de cola com um pano velho.

Com uma escova de dentes molhada em álcool combustível, 
eu removo o restinho de cola que sobrou.

Finalizando o acabamento com uma lixa grão 400,
flexível e sem apoio de mesa vertical.

Para o acabamento do cabo, faço um "engraxate"
com uma lixa flexível e óleo para madeira (qualquer um serve).
Com isso a faca está encabada!


"De fato, vocês ouviram falar dele, 
e nele foram ensinados 
de acordo com a verdade 
que está em Jesus.
Quanto à antiga maneira de viver,
 vocês foram ensinados 
a despir-se do velho homem, 
que se corrompe 
por desejos enganosos"
                                                            Efésios 4:21,22
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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Uma faca do início ao fim: 4.Acabamento

Certa vez, num dos meus artigos do blog, um grande amigo me alertou que eu havia sido redundante num termo que havia escrito, "acabamento final". Corretamente o Pedrão, meu amigo do quartel, me disse que todo "acabamento" já era, por si só "final".

Ele estava certo. Entretanto, nos processos de produção de uma faca, temos mais de um acabamento!

E objeto deste artigo é um destes!

O acabamento da lâmina, antes do encabamento e do tratamento do damasco.

Peço à todos vocês que, assim como eu tenho compartilhado conhecimento, que vocês possam também compartilhar este artigo em suas redes sociais. É só compartilhando conhecimento que a cutelaria brasileira irá atingir seu máximo potencial!

Que Deus abençoe à todos!

O empenamento é um fenômeno normal, 
especialmente em facas longas e de dorso fino.
Esta faca especificamente está com 3,9 milímetros na parte mais grossa do dorso
 e mede quase 11 polegadas de comprimento da área de corte.
O empenamento ocorre por dois prováveis motivos:
1. Usinagem assimétrica; ou
2. Resfriamento assimétrico.
Se um dos lados da faca for mais usinado que o outro, onde houver menos material
o resfriamento será mais veloz e "puxará" o fio, que ficará côncavo para este lado.
Se um dos lados for resfriado uma fração de segundo antes, 
este lado endurecerá primeiro e acontecerá novamente o fenômeno citando acima.
  Isto pode acontecer durante o "mergulho" da lâmina no meio de resfriamento.
Este deve ser perfeitamente perpendicular à superfície do meio líquido
de resfriamento. 1 grau de inclinação para um lado ou para o outro,
pode resultar em empenamento. Portanto é normal e não incomum!

Desenhei na lâmina o centro da concavidade do empenamento.
Abaixo da faca o martelo especialmente confeccionado para desempenamento.
Vou começar a trabalhar na área assinalada e vou verificando a
evolução do desempenamento, passando a trabalhar onde necessário.

Ponta do martelo de desempenamento: 4 milímetros!

Apoie perfeitamente a faca na bigorna e vá batendo sempre próximo do dorso,
onde o efeito do desempenamento é mais eficaz.
Faço questão de ressaltar que esta técnica não foi desenvolvida por mim.
Eu a aprendi generosamente com Luciano Dornelles,
grande cuteleiro e meu primeiro professor, 
à quem manifesto meus agradecimentos!

Funciona muito bem também na espiga!

As pequenas micro deformações que juntas, provocam um aumento de superfície,
o que estende o material e realinha a lâmina.

Lâmina perfeitamente realinhada. É fácil de se fazer.
Vou produzir um vídeo explicando esta etapa!

Eu começo a usinagem com lixa grão 50, na mesa vertical,
com apoio da mesa, de modo à reduzir a espessura do fio.

Depois eu vou para a vertical, sem apoio, com a lixa 50 bem tensionada,
onde faço a geometria do fio.

De volta à vertical com apoio, agora na lixa 220 para remover os riscos.

Vertical sem apoio, com lixa 220.
Muitos dos meus amigos cuteleiros lixam à máquina com lixas bem mais finas.
Eu acho válido, mas prefiro fazer daí pra frente à mão!

Lixando à mão a parte frontal do bolster integral, ou bombinha.

Ovalizando a bombinha na vertical com apoio.
Lixa grão 50.

Medindo a profundidade das laterais da bombinha nos dois lados,
de modo à deixá-las simétricas.

Tirando os riscos da bombinha, com o carrossel e a lixa grão 220.

Tirando os riscos do gavião. Cuidado com acidentes com o braço nesta posição!

Tirando os riscos do dorso. Mesa horizontal, lixa grão 400.

Para começar a lixar manualmente, remova os riscos próximo à bombinha,
trabalhando primeiramente no sentido indicado nas flechas.

Depois faça movimentos circulares. Esse método funciona perfeitamente 
também nas áreas próximas ao ricasso, nas facas montadas.

Depois eu lixo no sentido longitudinal da lâmina.

Lixando longitudinalmente. 
Eu uso uma lima meia cana velha como apoio da lixa.
Apoio a parte plana na lâmina.

Tirando os riscos e abaulando o gavião.
Para isso uso uma tira de lixa velha, grão 400 flexível.
Essa técnica, que também usamos muito para dar acabamento nos cabos
e chamamos de "engraxate", por causa dos movimentos semelhantes 
aos  dos quase extintos engraxadores de sapatos.


"Suporte comigo os sofrimentos, 
como bom soldado de Cristo Jesus."
                                                                                                                     2 Timóteo 2:3

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